terça-feira, 18 de outubro de 2011

" A CADELA PIPITA "

            Pipita era uma  vira -latas de pose . todos achavam que ela era uma cadela mestiça . toda vez que ''tia Céia '' , sua  dona , saía de casa ,  pipita ia atrás . e ai de quem chagasse perto . era mordido na certa . pois a cadela  só obedecia aos comandos de sua dona . em sua rua , todos que passavam de bicicleta por lá eram perseguidos por ela . com isso ,  pipita começou a ser odiada pela maioria e admirada  por alguns . já com uma certa idade , seus pêlos pretos começaram a dar lugar aos bancos . sua agilidade não era mais a mesma . depois de livrar -se várias vezes da carrocinha , pipita até p/ cruzar com outros cães era difícil . seu temperamento era bem diferente da de outros vira -latas . mas foi num dia , ou melhor , num fim de tarde que aconteceu algo grave . " tia Céia ''  vinha da rua da Floresta em direção á praça Oscar Rossim fumando seu cachimbo , com um saco plástico nas mãos e o típico lenço na cabeça , enquanto pipita vinha a seu lado fazendo um estranho movimento parecendo rebolar e com um palmo de língua p/ fora . ao avistar um grupo de garotos ,  pipita saiu em disparada na direção deles . todos conseguiram correr , menos um de nome Ruy que não teve a mesma sorte . ao tentar subir de costas em uma mureta , a cadela mordeu em cheio seu pênis . '' tia Céia '' a gritou e só assim ela parou de atacar o pobre rapaz . Ruyzinho foi direto p/ o pronto - socorro e mais tarde as duas partes tentaram se entender .
            pipita teve um fim quase que misterioso .  não se sabe se ela morreu naturalmente ou se foi envenenada . mas naquela época , alguns moradores da rua diziam escutar tarde da noite os longos e potentes latidos daquela cachorra que apavorava muita gente .

terça-feira, 11 de outubro de 2011

'' MARLUCE DO PASSO - FUNDO ''

             Dizia -se que toda tarde quando seu marido ia pescar , Marluce do '' passo- fundo '' preparava sua bolsa com casaco limpo, café fresco , pão com mortadela e uma carteira de cigarros fechada. Marluce tinha esse apelido de passo fundo porque mancava de uma das pernas depois de sofrer um acidente de trânsito na ida à casa de sua mãe no bairro de Realengo ( RJ ) . Marluce era casada com Lauro '' mingote'' e os dois moravam no final da praia do Cardo. na época o lugar era ainda mais deserto , mas eles gostavam daquele sossêgo.
             era como um ritual . de segunda á sexta , mais ou menos umas cinco ou seis horas da tarde Marluce do '' passo- fundo'' acompanhava seu marido até o barco de pesca . esperava ele embarcar junto com seus camaradas e despedia - se dele com um demorado adeus .
              certo dia , após despedir-se do marido , Marluce avistara uma procissão de Nossa Senhora do Desterro vindo em sua direção . era época de comemoração á santa. senhoras carregavam velas acesas e cantarolavam fervorosamente seus hinos . Marluce usava um vestido todo preto , os cabelos soltos e ao passar em sua frente fez o sinal da cruz em respeito á procissão . logo, sentiu -se atraída pela devoção daquelas mulheres e resolveu acompanha -las . foi depois daquela tarde que Marluce do '' passo- fundo'' nunca mais apareceu . nunca mais voltara p/ sua casa ficar ao lado de seu marido e pescador , que por muito ele procurou e não a  encontrou .
               dizia -se também que quase toda  tarde , algumas pessoas viam após Lauro mingote sair pra pescaria e pôr seu barco na água sua companheira  Marluce aparecia e despedia -se dele dando um demorado adeus.
                   

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

'' O PADRE JOSÉ CONSOLARO ''

            Eram mais ou menos umas oito e meia da noite e a chuva ficava cada vez mais forte. Aderbal e Emiliano no barco já haviam recolhido á rede e partido em direção á praia de D. Luíza , onde de lá desembarcariam e iriam p/ suas casas. nas caixas, quantidades generosas de peixes.pelo menos os dois iriam embora com algum dinheiro garantido . Emiliano assumira o comando do barco , enquanto Aderbal se protegia com uma fina capa de chuva do lado de fora da cabine , ajeitando os equipamentos na polpa do barco. a pescaria havia sido próximo ao porto de Sepetiba . um pouco distante de onde eles desembarcariam. os relâmpagos começavam á aparecer e a visão de Emiliano se dificultava  com a chuva forte que batia no vidro da cabine do barco. ao chegarem próximo á rua Pedro Leitão, os dois tiveram uma visão não muito boa naquele momento : - uma enorme imagem de um padre em frente á igreja de '' São Pedro'' . a aparição foi descrita assim : um senhor de cabelos brancos , de batina e com um objeto em forma de um livro embaixo de um dos braços. os pescadores narraram que quando davam os relâmpagos a imagem do padre aparecia e sumia rapidamente . a cabeça da tal aparição batia na ponta da cruz , no topo da igreja  e sua batia caía até o chão . os homens seguiram em direção á D. Luíza e espantados dentro da cabine resolveram não voltar p/ casa naquela noite . pois um morava próximo ao Coreto e o outro na rua da Guarda.

           diz-se pela descrição dos ''antigos '' pescadores, a aparição era José Consolaro, antigo padre que rezava missas na igreja de São Pedro.

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