Eram quase meia-noite de uma quinta-feira. no barco, dentro da cabine os três amigos pescadores conversavam. Paulo Ninil deitado na cama improvisada. Augusto Souza tentava consertar a TV. e Pinduca passava o café. enquanto lá fora a enorme rede descansava dentro d´agua presa á uma bóia de luz e a outra na ponta da polpa do barco. junto com o frio vinha a neblina, que mal dava p/ enxergar a Restinga da Marambaia, de onde eles estavam perto. ouvia-se motores de barcos passando ao longe e quando se distanciavam o silêncio permanecia. apenas a batida da água no fundo da embarcação fazia um som forte e oco. quase uma hora de espera e os homens se preparavam p/ tirar a rede. colocavam seus macacões impermeáveis, as botas... Paulo Ninil e Augusto Souza assumiam a rede. cada um com uma ponta começava a trazê-la pra dentro do barco. de cima da cabine, Pinduka com um potente farol ilumina a rede no mar.
- rapaz, essa rede tá muito pesada !! - resmungou Paulo Ninil, fazendo força p/ puxa-la.
- deve ser a lama. tem muito lodo nessa baía! - respondeu Augusto Souza.
- pra mim é um cardume de tainha.- respondeu Pinduka no comando do potente farol.
de repente, em volta da rede, peixes começavam a pular. mas presa nela só pequenos peixes de pouco valor comercial. já pelo meio dela, os dois começam a sentir um cheiro forte de podre. Ninil manda Pinduka iluminar bem mais á frente.os dois homens sentem a rede pesar cada vez mais. já exaustos , conseguem dar um ultimo gás.quando terminam, se deparam com um enorme defunto preso á rede de pesca pelos dedos das mãos. assustados os dois largam-na. Augusto Souza ainda cai p/ trás, enquanto Paulo Ninil corre em direção á cabine do barco. Pinduka permanece imóvel como farol em cima daquele homem inchado pelo seu adiantado estado de decomposição. partes de seu corpo comidas por peixes e siris, já não tinha mais os olhos. um buraco na testa chamava atenção e ficava a dúvida se era de arma de fogo. aos poucos o corpo foi afundando, porém, continuava preso á rede de pesca. passado um pouco o susto, Pinduka comunicara aos bombeiros salva- vidas do posto de Sepetiba através do rádio amador do barco. Paulo Ninil veio rebocando o corpo até perto da praia de Dona Luíza. quando amanheceu o defunto já estava na areia á espera do rabecão. mas enquanto não vinha, os curiosos faziam fila p/ ver a ''novidade'' do dia. uns com o nariz tampado, outros já puxando vômito de tão horrível que estava o mau cheiro.
no fim das contas, Paulo, Manduka e Augusto Souza não pegaram quase nada de peixe. e de prejuízo ainda ainda tiveram que consertar o buraco que o tal defunto havia feito na rede.


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