Pessoas que conheciam dona Creoníce diziam que ela tinha herdado o sítio de seu marido que havia falecido. senhora de estatura baixa e parecida com uma espanhola, dona Creoníce era muito dedicada á seu sítio, que por sinal era bem grande e seus fundos dava para a rua que sairia na Croácia ( nome do hospital de Sepetiba ). a mulher tinha alguns empregados: uma senhorinha negra que fazia a comida e nas horas vagas um caprichado doce de leite. mas a dona do sítio tinha um problema. quase sempre uma dor de cabeça. a molecada pulava em sua propriedade p/ roubar-lhe frutas. quando os cachorros latiam sem parar era hora dela pegar sua espingarda e dar-lhes tiros de sal grosso nos invasores. cocos ficavam p/ trás, carambolas pela metade marcavam o chão e os cajús ás vezes permaneciam nos pés. os tiros eram precedidos pela ladainha da velha senhora. quase sempre isso acontecia.
até que num dia, dona Creoníce faleceu e a molecada que adorava fruta viu o caminho livre. passaram-se mais ou menos uma semana e dois rapazes resolveram pular no sítio para roubarem cocos. devia ser umas cinco e trinta e quarenta da tarde e o dia já estava indo embora. um deles subiu no coqueiro e o outro ficou embaixo com um saco de estopa nas mãos. ao chegar próximo aos cocos, o indivíduo começou á tirá-los e a jogar p/ o amigo. ao se distrair, olhou p/ o caminho que dava p/ a casa da falecida. de repente ele tomou um susto e gritou : - é dona Creoníce, é dona Creoníce. olha lá...
o que estava embaixo não pensou duas vezes e nem resolveu conferir. pulou aquele muro alto, deixando o parceiro p/ trás, que minutos depois foi socorrido pelo caseiro em estado de choque e chorando feito uma criança.
naquele dia não houve tiros de sal grosso, mas Creoníce continuava protegendo seu sítio ?

3 comentários:
Muito legal! adorei! Habilite a opção para seguidores para que possamos seguir o blog! Grande abraço!
Eu conheci....kkkk
Conheci DNA Cleonice, fui aluno de sua filha Esther Maiolino, mas não conhecia essa historia, muito legal
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